A revista foi produzida pela professora Adriana Leite Campos no
ano de 2012, com o intuito de revelar uma das histórias reais que se passaram
nos anos de 1822 a 1823, justamente quando a Bahia passava por um grande
processo de recolonização. Felipa foi uma mulher negra e pobre que exercia a
função de marisqueira e vendedora de quitutes na Ilha de Itaparica, ela foi a
principal guerrilheira negra que se tem registro, ela defendeu a ilha das
tropas portuguesas, liderando um grupo de quarenta mulheres negras e índias,
dando uma surra de cansanção nos marujos portugueses, este episódio aconteceu 7
de Janeiro de 1823, data que hoje simboliza a Independência da Ilha de
Itaparica, este trabalho busca a cidadania e a resistência negra das mulheres
ancestrais, com o objetivo de reescrever a história literária de Maria sem
preconceito literário de gênero, valorizando a história e a identidade de um
povo junto a cultura popular.

Papel
da mulher matriarca em luta pelos seus direitos, ideais
e o pregresso de uma
nação. (trecho da Revista Esquecida na areia).
Matriarcal é um termo aplicado às
formas de sociedades nas quais o papel de liderança e de poder é exercido pela
mulher e especialmente pelas mães de uma comunidade. Matriarca deriva do grego
(mater-mãe), (arca-reinar, governar); a mulher matriarca exerceu grande
influência durante gerações. Vênus segundo a mitologia grega antiga, apresenta
um elevado estatuto social e referencia à fertilidade, símbolo de segurança,
sucesso, bem-estar e proteção, na África ama,
significa mãe, mães que foram matriarcas no passado, ´´Rainhas Mães``,
´´Candaces``, conceito através do qual a força da mulher negra faz presente em
lutas e conquistas no legado matriarcal, negras que venceram o tempo e as
distâncias.
Nefertite reinou no Egito por mais de
uma década durante o apogeu de uma civilização que influenciou toda humanidade,
ela implantou reformas culturais e religiosas, foi reverenciada por sua beleza negra
e governou ao lado de Amenófis IV, com status equivalente ao dele.
Maria
Felipa é considerada uma Candace, representa as mulheres negras herdeiras do
laço afro que gerou da bravura em sua ancestralidade. PLATÃO ´´...fornece prova da preexistência, da
espiritualidade e da imortalidade da alma, estabelece ponte entre a vida
antecedente e a vida presente, dá valor ao conhecimento sensitivo, reconhecendo-lhe
o mérito de despertar a recordação das ideias``. (MONDIN 2007, p. 71).
(Arte, Professora Adriana Leite Campos 2014)
Cordel
Igreja que escolhe onde quer
ficar
Histórias contadas pelo povo
de cá
Santo Amaro do Catu Alegre a
cantar
Chamando o povo pra festa de
lá.
Jiribatuba contente abraça a
festa
Quem chega e quem vem a
velejar
A procissão marítima remando
a velar
Contando histórias que
dá o que falar.
Um verde permanente existe
nessas terras
Que meras o sol pudesse
apagar
Vera Cruz Itaparica abraço
apertar
O povo que chega até eu vou
ficar.
Paraíso encantado, desenhado
por Deus;
É tão lindo e cheiroso como o
perfume do mar
Vera Cruz enfeitiça os olhos
meus
Os teus se embriagam com a
fauna a voar
Gostoso é o peixe,
Grelhado,
assado
Moqueca escabeche,
Vermelho
ou dourado
Siri, chumbinho,
Lambreta e
sururu,
Tudo é pescado
Na praia do
Catu
A brisa da praia
Salga a nossa pele
As lendas do mar
Até hoje nos protegem
A negra ganhadeira
Esquecida
na areia
Maria Felipa
Enaltecida e
guerreira.
Define o filosofo que a
palavra nos traz
Que rainhas africanas herdam
seus ancestrais
Vivendo nas lutas nos dias
atuais
Fazendo campanha a favor da
paz.
Este poema é em homenagem a Maria Felipa de Oliveira e todas as mulheres
consideradas Candaces africanas, mulheres que lutam contra o preconceito de gênero,
etnia e classe social.
Adriana Leite
Campos.
Título Maria Felipa da Contemporaneidade 2014

A
publicação da Revista Esquecida na Areia, rendeu para a Professora
Adriana Leite Campos, o título Maria Felipa de Oliveira, por contribuir
com suas ações na transformação do meio onde vive no ano de 2012, título
este, concebido pela casa de Maria Felipa de Oliveira e Centro de
Visitação, Estudos, Pesquisas e empreendimentos Étnico Culturais.
Apresentação de Cordel, na entrega de Títulos Maria Felipa em 2016.
Centro de visitação, estudos, Pesquisas e Empreendimentos Étnico-Culturais
Casa de Maria Felipa
Literatura de cordel
Maria Felipa
Em nossa Contemporaneidade
2016
Natural
de Itaparica
Rainha
da Resistência
Enganando
os portugueses
Com
sua experiência
De
uma grande sedutora
Trabalhou
a vida toda
Em
busca da Independência
Sua
força hereditária
Defensora
da nação
Convenceu
de boca em boca
Aquela
população
Remando
sua jangada
Construindo
sua estrada
Região
por região
A
mulher escravizada
Muito
castigo levou
Mas
dona Maria Felipa
A
cabeça levantou
Recusou
naquele tempo
Ser
levada pelo vento
Sua
luta começou
Pegou
seu artilhamento
Se
armou com cansanção
Amarrou
em sua cintura
Urtiga,
arruda e facão
Os
jumentos já corriam
Quando
de longe há viam
Com
medo da coçação
Em
nosso contemporâneo
Muita
coisa já mudou
Viva
sua transcendência
Faça
isso com amor
Mas
se abusarem dela
Pegue
o cabo de panela
Professora
Adriana Leite Campos
Ano 2016
Maria Felipa de Oliveira, participação no desfile cívico do aniversário de 55 anos de emancipação da Ilha Vera Cruz, BA. 2017.
Professora: Adriana Leite Campos
Vídeo do desfile da Casa de Maria Felipa no 2 de Julho de 2012 e apresentação da Oficina Afro Baiana na Faculdade de Ciências Educacionais - FACE
com a exposição da história da Heroína da Independência Maria Felipa.
Desfile da Casa de Maria Felipa no 2 de Julho, Bicentenário da
Independência 2023
Casa de Maria Felipa Curuzu, Salvador -BA
Professor Ricardo Vieira e Professora Adriana leite Campos
Professora Lucineide Santos Vieira (ao centro)